Remando contra a maré e os ensinamentos da novela de horário nobre “Insensato Coração” a Prefeitura do Rio de Janeiro inaugurou em dezembro o Centro de Operações Rio. Dito como o primeiro Centro do Planeta na linha mundial de Cidades Inteligentes, o projeto foi resultado de uma parceria entre a Prefeitura e a IBM.
Numa sala que parece réplica do ambiente de trabalho do Homer Simpson, o Centro integra cerca de 30 órgãos municipais (nem sabia que existia tanto órgão assim), e concessionárias com o objetivo de monitorar e otimizar o funcionamento da cidade, além de antecipar soluções e minimizar as ocorrências. A unidade alerta os setores responsáveis sobre os riscos e as medidas urgentes que devem ser tomadas em casos de emergências como chuvas fortes, acidentes de trânsito e deslizamentos. Tudo isso 24h por dia, sete dias por semana em tempo real.
Agora vou dar o meu pitaco sobre esse empreendimento municipal.
Antes de mais nada, não me considero um devorador de noticias ou uma rádio CBN que anda e fala, mas não vi nem ouvi nada sobre esse maravilhoso e tecnológico advento. E quando eu não ouço falar de algo, mesmo que por alto, creio que não foi dada a devida atenção e importância ao fato ou que o mesmo não merece tanta atenção. Honestamente não acredito que tal centro seja um engodo que não mereça destaque. Apesar das noticias e vídeos que li não terem dado ênfase a segurança pública, tal Centro de Monitoramento deveria ser capa de todas as revistas, manchete de jornais e pagina principal de sites da internet. Isso quem sabe intimidaria os agressores de nossa sociedade tentando ao menos iludi-los que nosso governo está tentando ser mais inteligente que eles.
Será que não ganhou tanta notoriedade devido ao seu custo benefício?
Um comentário de Renata Andrade no blog Cidades e Soluções do G1 - Globo.com me chamou atenção. Qual será que foi o custo total desta implantação? Sendo on-line qual o custo de construção, operação e manutenção? Envolve quantos funcionários? Caso já tenha sido medido, Qual o benefício econômico real deste sistema? Estão com medo de terem criado um “Elefante Branco”?
Não foi falado nada também, mas será que tal tecnologia nos auxiliará nas soluções quanto ao transito caótico que o carioca enfrenta diariamente? De janeiro para cá, tal sistema já era pra ter dado um extrato da infelicidade que é andar de carro no Rio de Janeiro, ou ter mandado explodir tudo. As montadoras não param de vender carros. As pessoas não param de comprar. Condomínios não param de ser construídos. Vão esperar o Centro de Operações dar pau ou vão usar a ferramenta para resolver o problema?
Recomendo também ao Senhor Prefeito, parar de jogar Simcity 3000 com o Rio de Janeiro, e convidar a equipe que coordena o Twitter Lei Seca para dividir espaço na sala do Centro de Operações. Sem tanto recursos os caras vêm mapeando e alertando motoristas cariocas quanto não apenas blitzes de Lei Seca, mas também engarrafamentos, arrastões, acidentes, alagamentos, rotas alternativas apenas com a ajuda da rede mundial de computadores. Imagina o que eles fariam com tanta tecnologia?
Bom. Lendo ainda o blog Cidades e Soluções, vemos que por enquanto o Centro de Operações tem servido muito bem de uma extensão do gabinete do prefeito. Um lindo e tecnológico tranpolim para as próximas eleições (data que eu acho que estão guardando para dar a devida audiência para o Centro), e receber visitas ilustres.
Porém não apenas criticando, elogio a iniciativa. Apesar de saber que foi oportunista, atrasada e eleitoreira, tudo que vier para tentar melhorar a nossa sofrida vida de brasileiro merece ser enaltecida. Além de ajudar a diminuir prováveis vergonhas na copa e nas olimpíadas, tomara que esse piloto dê certo e seja o primeiro de diversos centros espalhados pelo país. Só não vale usar tal Centro para localizar novas fontes de arrecadação, ou em outras palavras, arrumar mais imposto para os cariocas pagarem. Dizer que o Centro foi uma ótima ferramenta para acabar com a publicidade irregular, ou com os ambulantes e coisas do gênero merecem uma morte lenta ao quem se vangloriar disto. Vamos monitorar e corrigir o que realmente nos prejudica.
Quem sabe assim o autor de Insensato Coração resolva usar suas novelas para convencer seus expectadores que o Brasil não é assim tão selvagem.



