Tive que reproduzir o texto abaixo. Nem recomendar o Link era o suficiente, de tão claro e forte é o texto.
O Colunista tem TOTAL razão no que diz e realmente muita gente de internet deveria se envergonhar.
Mas tem um detalhe. Sou honesto comigo mesmo o suficiente para saber que se o caso acontecesse com Fernando Henrique Cardoso, talvez eu seria um dos que encabeçariam uma campanha para que ele fosse se cuidar do SUS esquecendo completamente o ser humano por trás do político. Esse foi meu pitaco sincero!
Folha.com
30/10/2011 - 11h09
O câncer de Lula me envergonhou
DE SÃO PAULO
Senti um misto de vergonha e enjoo ao receber centenas de comentários de leitores para a minha coluna sobre o câncer de Lula. Fossem apenas algumas dezenas, não me daria o trabalho de comentar. O fato é que foi uma enxurrada de ataques desrespeitosos, desumanos, raivosos, mostrando prazer com a tragédia de um ser humano. Pode sinalizar algo mais profundo.
Centenas de e-mails pediam que Lula não se tratasse num hospital de elite, mas no SUS para supostamente mostrar solidariedade com os mais pobres. É de uma tolice sem tamanho. O que provoca tanto ódio de uma minoria?
Lula teve muitos problemas --e merece ser criticado por muitas coisas, a começar por uma conivência com a corrupção. Mas não foi um ditador, manteve as regras democráticas e a economia crescendo, investiu como nunca no social.
No caso de seu câncer, tratou a doença com extrema transparência e altivez. É um caso, portanto, em que todos deveriam se sentir incomodados com a tragédia alheia.
Minha suspeita é que a interatividade democrática da internet é, de um lado, um avanço do jornalismo, e, de outro, uma porta direta para o esgoto do ressentimento e da ignorância.
Isso significa que um dos nossos papéis como jornalistas é educar os e-leitores a se comportar com um mínimo de decência.
Gilberto Dimenstein, 54, integra o Conselho Editorial da Folha e vive nos Estados Unidos, onde foi convidado para desenvolver em Harvard projeto de comunicação para a cidadania.



